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Rodrigo Roddick

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Desde que o último livro da trilogia Jogos Vorazes foi lançado, os fãs ficaram ávidos por mais histórias daquele universo controverso que era Panem. Para muitos leitores, uma curiosidade palpitava: como o presidente Snow se tornou um ditador tão insensível? A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes retorna no tempo para responder a essa questão.

“Há um lado sombrio e perturbado da vida. Mas há um lado alegre e luminoso também”

O romance foi publicado em junho pela Rocco, editora que trouxe toda a saga dos Jogos Vorazes para o Brasil, e foi escrito por Suzanne Collins, que teve seus livros traduzidos em 53 idiomas ao redor do globo. O livro está cotado pela Lionsgate para ser adaptado em filme. As filmagens estão com início previsto para 2021.

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes é sobre o presidente de Panem, Coriolanus Snow, um ditador indiferente ao sofrimento do povo que governa. A história conta como ele, aos 18 anos, conseguiu driblar a falta de dinheiro que sua família renomada enfrentava e como a salvou da ridicularização na Capital. Tudo isso envolvendo a mentoria de uma jovem tributo do distrito 12.

Jogos Vorazes sempre apontou para um regime ditatorial em que uma maioria das pessoas que vive de pouco sustenta uma minoria que vive de muitos recursos. Um modelo que está no cerne dos sistemas quais a história natural da humanidade já relatou diversas vezes. Apesar de Panem ser um universo fictício construído, ele representa a injustiça praticada versus a justiça aparentemente apresentada pelas leis e regras.

“Não existiam Jogos Vorazes sem os espectadores”

No novo livro de Suzanne Collins, o leitor vai compreender como esse sistema já começa injusto, fruto de uma desonestidade cometida pelos Snow; como e quem deu origem a uma violência para controlar a população de modo que provesse a elite.

“Em meio à violência dos Jogos, havia uma agonia silenciosa que todos em Panem tinham sentido, o desespero por sustento suficiente para aguentar até o próximo nascer do sol”

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes se concentra em Coriolanus porque ele representa a liderança desse sistema ditatorial, ao mesmo passo que revela como o maior monstro da humanidade é ela mesma. Snow não é diferente de nenhuma pessoa. É um jovem esforçado que deseja aumentar o status de sua família ao mesmo tempo que luta pela sua sobrevivência.

“Sem estudos, que portas se abririam para ele? Tentou imaginar seu futuro em uma posição humilda na cidade… fazendo o quê?”

Essa escolha é interessante porque reafirma a máxima do “homem ser o lobo do homem”. O ditador não é um lunático, não é um louco, nem perdeu o juízo. Ele é uma pessoa como qualquer cidadão de Panem.

Entretanto, já no começo do livro é possível observar que Coriolanus tem um caráter ambicioso e egoísta. Embora ele seja uma pessoa comum, é bastante astuto e inteligente para contornar situações adversas. Porém o que o torna perigoso é o fato dele não ligar para seus escrúpulos quando uma situação lhe favorecer. E é aí que mora a premissa, muitas vezes discutidas em diferentes livros, sobre o poder revelar o caráter de uma pessoa.

“Todo mundo sabia o que acontecia quando se ia para os distritos. Você era apagado. Esquecido. Aos olhos da Capital, estava basicamente morto”

Coriolanus Snow percebe que só vai conseguir manter sua família sempre protegida da ameaça de se tornar distrital se ele assumir o controle daquele país. Mas ele é uma pessoa facilmente corrompível pelo poder, que o deslumbra e o fascina. Esse é o perigo que qualquer ser humano, de Panem ou não, está fadado a enfrentar face ao poder. É uma sina que acompanha o íntimo de cada ser humano.

“Sem ameaça de morte, não teria sido uma lição válida (…) O que aconteceu na arena? Aquilo é a humanidade despida. Os tributos. E você também. Como a civilização desaparece rapidamente (…) tudo o que você se orgulha, arrancado num piscar de olhos, revelando o que você realmente é. Um menino com um porrete que bate no outro até matá-lo. Isso é a humanidade em seu estado natural”

A leitura de A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes flui fácil, mas a quantidade de observações que a narrativa traz ou aponta tende a cansar o leitor. É uma situação que provoca a vontade de fechar o livro muitas vezes, porém deixando uma curiosidade na mente que sempre faz o leitor retornar a ele. A história teria funcionado melhor, talvez, em menos páginas.

Os acontecimentos do romance não são extraordinários nem surpreendentes, mas se adequam perfeitamente ao protagonista, ao enredo e à premissa propostos pelo livro. É um detalhe importante porque deixa a história seca, sem sabor, fria. Realmente interage com a ideia central, mas causa uma sensação exaustiva no leitor.

Independente destas observações, o livro vai agradar os fãs por sinalizar várias referências à trama principal dos Jogos Vorazes, bem como retomar discussões já vistas na trilogia.

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes consegue ser uma narrativa consistente que consolida a ideia geral dos Jogos Vorazes.

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