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Nathally Marques

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Depois de uma elogiada primeira temporada, a série original e brasileira “Coisa Mais Linda” do serviço de streaming Netflix, garantiu uma continuação. Com uma trama envolvente que une música e temas que, apesar de serem exibidos durante os anos 60, ainda são extremamente atuais. Mas será que esse novo ano entrega tudo que o público espera? A série ainda tem fôlego para mais uma temporada?

O último episódio acabou de forma trágica durante do Réveillon de 1960. Maria Luíza, a Malu (Maria Casadevall), depois de falar com Chico (Leandro Lima) que ele deveria sair em turnê pelos Estados Unidos, se junta às suas amigas na praia para comemorar a passagem de ano. Malu e Lígia (Fernanda Vasconcellos) levam um tiro de Augusto (Gustavo Vaz), que estava com raiva após descobrir o aborto realizado por sua esposa.

Confira o nosso IGTv sobre a série:

Antes desse momento de grande tensão, Adélia (Pathy Dejesus) e Nelson (Alexandre Cioletti) terminam o ano se entendendo, depois que o segredo sobre a paternidade de Conceição (Sarah Vitória) é revelado. Já Capitão (Ícaro Silva) e Thereza (Mel Lisboa) estão tentando se encaixar nessa nova realidade. Além disso, a série deixou no ar o retorno de Pedro (Kiko Bertholini), marido de Malu que a abandonou no início da história.

A segunda temporada mostra que os traumas do passado chegam para atormentar Malu depois de sua recuperação do tiroteio, deixando-a novamente em seu estado mais vulnerável. Ela se vê em um dilema que envolve sua família e o seu Clube, o “Coisa Mais Linda”, que vem de encontro com todo o empoderamento que ela construiu ao longo do último ano. A saída que ela acha para essa situação faz com que ela se torne mais desinibida, mais dona de si, mais forte, ou seja, reencontra aquela Malu que estava perdida. E com a ausência de Chico, em meio a toda essa tempestade de emoções, pode fazer com que ela acabe descobrindo um novo interesse romântico inesperado?

Thereza finalmente está tentando se acostumar com a ideia de ser madrasta de Conceição. Ela abandonou o trabalho na revista, para escrever um romance. Só que essa vida de ficar acomodada em casa não combina com sua personalidade, até que ela recebe uma proposta de trabalhar em uma rádio e vê a oportunidade perfeita para voltar a ser feliz. Enquanto Thereza está ocupada com o novo trabalho, a cabeça de Nelson está tentando encontrar o seu papel em sua família. Que tem sua mãe só se preocupa com status social, um irmão que está foragido depois de ter cometido um crime e sua recém descoberta filha, a qual está dedicado a recuperar o tempo perdido. E com isso, a relação entre Thereza e Nelson começa a estremecer, mesmo eles sendo aparentemente o casal que tem um diálogo mais aberto. Essas diferenças de objetivos podem acabar se transformando em um conflito maior, caso eles não se resolvam.

A família de Adélia ganha destaque nesse ano. Sua irmã mais nova, Ivone (Larissa Nunes), é a mais nova descoberta musical de Malu, mas sua realidade financeira a colocará em uma situação na qual ela terá que decidir entre viver o seu sonho de cantar ou ajudar a sustentar a casa. Além disso, o reaparecimento do pai delas, o Duque (Val Perré), vai mexer com os sentimentos das duas, depois dele ter as abandonado por causa do alcoolismo. Adélia por sua vez se encontra mais confiante e sabendo onde é o seu lugar por direito, mas uma notícia que ela recebe vai abalar com todos e o mais surpreendente é descobrir em quem ela encontra um refúgio nesse momento.

“Coisa Mais Linda” é uma história sobre música, desigualdades, família, mas principalmente sobre a união entre mulheres diante de situações difíceis. Se as mulheres de hoje conseguem ter alguns direitos, foi porque as de antigamente impulsionaram isso e ver uma trama que aborda esse tipo de temática é realmente inspirador. É bem como Malu diz em um dos últimos episódios: “Será que esse não é o preço que a gente paga por querer ser livre?”. Apesar de todos esses anos que se passaram historicamente, ser mulher ainda é muito difícil.

Novamente a série, criação de Heather Roth e Giuliano Cedroni, acerta em cheio na fotografia, figurino e trilha sonora. Todos esses elementos compõe perfeitamente os sentimentos dos personagens e a sensação de estar no Rio Antigo, mesmo não tendo vivido naquela época. Ao trazer temas como desigualdade social e de gênero, racismo, feminicídio e abuso sexual, a série abre espaço para que as histórias das minorias sejam ouvidas e debatidas.

Com um bom trabalho de roteiro e desenvolvimento de personagens, as atrizes principais conseguem passar identificação e carisma para o público. É possível sentir a vulnerabilidade delas, já que nem sempre precisam manter a pose de mulher forte, pois todo mundo erra e tem defeitos. Com isso, transmitem realidade para o espectador, que provavelmente viveu ou conhece alguém que viveu alguma situação parecida. Seus papéis possuem a grandeza e a diversidade, continuando interessantes e provando que ainda tem muito a oferecer para a trama.

Embora o final tenha sido um pouco corrido, provavelmente pelo número de episódios disponíveis para desenvolver o enredo, a série se consagra como um ótimo conteúdo nacional, se não for um dos melhores produtos brasileiros que estão no catálogo da Netflix. Com a adição de novos personagens que elevam o tom da trama, novos conflitos e uma incessante busca por justiça, temos um encerramento fatídico que gera um gancho para uma terceira temporada, ainda não confirmada pela plataforma, onde podemos especular diversas teorias para o futuro.

A segunda temporada de “Coisa Mais Linda” já está disponível na Netflix e é uma ótima pedida de maratona para o final de semana.

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