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Análise – Sintonia “tão ruim que é bom!”

Quando temos uma pérola em nossas mãos, precisamos reconhecer.

Quando temos uma pérola em nossas mãos, precisamos reconhecer.

Tentando seguir o sucesso que séries brasileiras como “3%“, “Samantha!” e “Coisa mais Linda” fizeram na plataforma, a Netflix (em parceria com Kondzilla) nos prestigia com esta raridade chamada Sintonia.

Não há o que dizer, só sentir

Faltam palavras para descrever o quanto esta série é… Única! Em partes pelo seu elenco de 0 (ZERO) estrelas conhecidas do grande público ou pela pobreza de conteúdo e texto que dão vergonha para qualquer um que tenha o mínimo de senso crítico.

As situações são tão absurdas que é fácil você cair na gargalhada com cenas que deveriam (pelo menos é a impressão que passa) serem sérias! As atuações e situações são medíocres, os erros de continuidade são absurdos e o vocabulário é algo semelhante a você ir assistir uma peça do Shakespeare, bêbado e com ouvido entupido, não dá pra entender absolutamente nada. Mesmo se você for uma pessoa que mora em comunidades como este que vos fala, simplesmente é algo incompreensível.

A fotografia da série até que consegue surpreender, com imagens reais das favelas de São Paulo assim como quase em todos os frames dos seis episódios que compõem a primeira temporada. A trilha sonora, como esperada de qualquer produção do Kondzilla é o ponto alto da “série” com algumas canções originais (bem algumas mesmo, se prepare pra enjoar da repetitividade), também não podemos esquecer da participação mais que especial de Leila Moreno que devia ter ficado em casa e não passado essa vergonha.

Personagens são uma pérola

A série segue o dia a dia de três melhores amigos de infância e falha miseravelmente quando tenta unir os três e convencer o espectador que há alguma “sintonia” entre eles. Sério! As piores cenas da série toda é quando surge essa forçação de barra tentando provar que os três são tão unidos. Mas vamos por partes e tentar elencar do melhor pro pior.

Nando, um reflexo da sociedade

De longe o melhor ator do elenco. Embora ele seja prejudicado em sua performance por contracenar com o núcleo do tráfico (que visivelmente não são atores) a maior parte do tempo, sempre que abre a boca você consegue ter um pouquinho uma interpretação de qualidade.

Entre os protagonistas, ele é o que leva a vida mais lascada. Sem ter muitas oportunidades, se envolveu com o tráfico muito cedo e tenta seguir carreira para dar uma vida melhor para sua família. Brincadeiras à parte, o drama vivido por Nando é a realidade de tantos jovens espalhados pelos quatro cantos do Brasil e é fácil sentir empatia e revolta por tudo que acontece com ele. É aquele ditado: “Quer entrar pra caminhada, põe um tênis no pé e vai caminhar” – Torto Lispector.

Rita, a Rata

Dos três jovens, a jornada da Rita é a mais confusa e sem noção. Ela começa a série como vendedora ambulante e adepta ao uso de entorpecentes (naturais e não) e depois de uma apreensão que acaba prejudicando a vida da sua melhor amiga Cacau e de levar uma surra bem dada da querida mãe de Cacau, Jussara (Melhor pessoa), ela decide mudar de vida e buscar Jesus.

O problema é que de acordo com o desenvolvimento do roteiro, não fica claro se Rita realmente pretende se tornar uma pessoa melhor ou se ela se aproxima do pastor da igreja apenas para roubar o dinheiro dos fiéis. Mesmo que esta seja a intenção, precisava ficar mais obvio porque ao invés de transmitir a ideia de que ela estava tramando algo maior, só pareceu um roteiro mau escrito mesmo.

Doni, playboyzinho que ninguém gosta

Com certeza na sua vida, você já se deparou com uma pessoa que tem tudo, vive bem, usa roupas de marca, estudou em boas escolas, tem boa aparência e que era um mimado sem noção. Este é Doni, nosso ilustre protagonista. Ele tem o sonho de se tornar um famoso MC e consegue isso de forma surpreendentemente rápido e fácil, mesmo o roteiro (novamente) tentando nos mostrar o contrário, fica difícil acreditar. Da mesma forma que ele consegue tudo, parece que quer destruir tudo também. Faz birra porque precisa fazer dois shows na mesma noite, da piti porque a funkeira mais famosa do pedaço depois de roubar a música dele o convida para uma ponta no clipe (mas ele queria lançar o clipe sozinho, mesmo não sendo ninguém) e uma infinidade de outras coisas absurdas desse moleque mimado e irritante.

Vale a pena ver isso?

Sintonia é uma série tão, mas tão ruim, que você precisa assistir. Os memes já invadiram as redes sociais, a própria Netflix está fazendo um marketing pesado de divulgação. Se quiser rir, vale a pena perder um tempinho pra conferir. Eu realmente espero que uma nova temporada seja produzida para que a plataforma de streaming tenha a oportunidade de arrumar o que não deu certo, assim como aconteceu com as três séries mencionadas no começo dessa matéria porque mesmo com todos estes pontos a melhorar, é possível enxergar uma luz no fim do túnel de um potencial a ser atingido.

Não poderia encerrar esta crítica sem uma menção honrosa ao melhor/pior personagem dessa série, nosso gerente de loja, Juninho!

Mas para que vocês possam entender o grau de tensão que eu to falando, assistam Sintonia na Netflix, já disponível na quebrada.

Sintonia

5

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