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As nuances dos relacionamentos abusivos em The Umbrella Academy

Umbrella Academy nos traz uma outra perspectiva sobre abuso.

Em um fenômeno extraordinário, 43 crianças nascem, ao mesmo tempo, ao redor do
mundo, de mulheres que não estavam grávidas no começo do dia. Ao tomar conhecimento,
Sir Reginald Hargreeves localiza e adota sete delas, para lutarem contra o crime e serem
uma família, a Umbrella Academy.

Reginald assume a figura de pai, cria e treina essas crianças (Luther, Diego, Ben, Alison, Número 5 e Klaus) para que seus superpoderes sejam usados para combater o crime. Com pouquíssima idade eles já estão atuando contra ladrões e assassinos enquanto sua infância é colocada de lado, pela responsabilidade que, segundo seu pai, essas crianças devem ter.

Umbrella Academy então, nos traz uma outra perspectiva e um ângulo diferente sobre
abuso, cada um dos filhos de Reginald, traz uma faceta sobre os danos de uma infância
inexistente, pais ausentes ou pais que simplesmente não gostam de seus filhos ou sequer
os encara como filhos.

Em alguns flashbacks, é possível ver a dinâmica da família disfuncional. Cada personagem demonstra um lado dos efeitos de uma criação tóxica e a solidão que a falta de uma família de fato acaba por trazer à medida que eles crescem.

Aqui, assuntos como relacionamentos abusivos aparecem de diversas formas, é possível
notar nas relações dos personagens, os traumas da infância. Luther, ou Número 1, por
exemplo, é fiel ao pai, defende sua memória mesmo diante das evidências dos erros
contínuos de criação com ele e com seus irmãos.

É ele quem fica ao lado do pai mais tempo, é ele também que julga os irmãos por terem partido. Talvez por ter enxergado uma outra faceta de Reginald à medida que apenas os outros iam embora. Talvez pelo fato de se recusar a aceitar que Reginald não era um bom pai. Em uma das cenas, as crianças, reunidas, vão até o escritório pai para dizer boa noite e ele sequer torna os olhos para eles ou responde. Além disso, Reginald não os chama pelo nome, apenas por seus números e essa ausência quase que de humanização, é perceptível no comportamento de cada personagem. Diego ainda tenta lutar contra o crime, mas sozinho.

Alison parece desesperada por atenção e perde a família quando usa seu poder de
persuasão na filha. Klaus é viciado em drogas e faz de tudo para não se manter sóbrio e
inibir seu poder de conversar com os mortos. Ben está morto e Número 5 está perdido no
futuro, depois de tentar viajar no tempo, contra as ordens de Reginald.

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Cada personagem parece ter crescido e se desenvolvido sobre uma base sólida de abusos e medos, Vanya por exemplo, ouviu durante toda a infância que não era especial, por não ter superpoderes e a única coisa que ela tem, é o violino e, mesmo assim, ela se frustra e se culpa por não ser tão boa quanto seus colegas.

Quando se tem pais ausentes, ou abusivos, é possível fazer de tudo para agradá-los ou afastá-los. Em Umbrella Academy, cada irmão cria algum mecanismo para suportar a ideia da ausência de um pai e, na verdade, de uma família. Eles não são próximos e talvez o motivo seja pelo tamanho de questões que cada um precisou lidar. Quando sentimos dores que não são físicas, podemos nos sentir solitários porque certas coisas são muito difíceis de partilhar.

Ainda sim, Umbrella Academy nos mostra que, apesar de sermos vítimas, também podemos ter comportamentos abusivos para com os outros. Diego faz questão de maltratar Vanya toda vez que se encontram porque ela publicou um livro sobre a família. Alison usa seu poder na filha e a série dá a entender que ela, com o seu poder, obriga a filha a amá-la. Klaus segue se destruindo com o abuso de drogas e é incapaz de lidar com a realidade. Número 5 não consegue dialogar porque viveu uma vida inteira solitário no futuro e não consegue conceber que seus irmãos poderiam ajudá-lo a parar o apocalipse.

Quando Luther descobre que Vanya tenta matar Alison, sua solução é a mesma do pai, trancá-la em uma caixa, a fim de impedir que ela causa mais danos e Vanya, quando consegue se libertar, destrói tudo no seu caminho porque aqueles traumas da infância retornam de uma só vez.

É na incapacidade emocional de lidar com esse trauma, que os erros dos personagens se repetem, a falta de comunicação, a hostilidade uns com os outros, a incapacidade de autocrítica. A série mostra que crianças quebradas se tornam adultos com vários problemas que não desaparecem, é preciso lidar e dificilmente lidamos com nossos traumas sozinhos. Uma das cenas mais icônicas de Umbrella Academy é a cena da dança. Cada personagem está em um cômodo da casa e dança ao som de I Think We’re Alone Now, separadamente.

No plano final, é possível ver cada personagem em sua caixa, seu cômodo, dançando de forma catártica, sozinhos, cada um em seu universo, com dores e culpas impossíveis de compartilhar. Apesar de dançar ao mesmo momento, eles não estão juntos, e a dança não é sobre se libertar porque eles ainda têm tanto pela frente, mas sobre todos esses traumas e problemas que eles serão obrigados a lidar, porque apesar da morte de Reginald, muito permanece.

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