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Especial Oscar: Crítica | Sound of Metal

Sensível, o longa é um dos cotados para levar uma das estatuetas do Oscar em 2021.

Em 2019, “The Sound of Metal” (no Brasil, “O Som do Silêncio”) fez sua estreia no Festival Internacional de Cinema de Toronto, mas teve o lançamento ao grande público somente em dezembro do ano passado na plataforma Amazon Prime Video. O filme conta com 6 indicações ao Oscar, incluindo melhor filme e ator.

A história do filme é sobre Ruben (Riz Ahmed), o baterista de uma banda de metal, que começa a ter perda auditiva intermitente. Quando um especialista diz que sua condição vai piorar rapidamente, ele pensa que sua carreira musical acabou – e com ela sua vida. O drama se inicia quando Ruben vai para um local para aprender a viver a vida de um deficiente auditivo. O diretor Darius Marder assina o roteiro original com Derek Cianfrance.

O roteiro tem uma estrutura simples e divide de forma clássica os seus 3 atos. Muito bem amarrados, cada evento é consistente o suficiente para acreditar no que acontece no segmento da história. A forma como Darius Marder conduz a história não possui nada de fantástico ou excepcional, é bem regular e padrão – mas o seu maior triunfo está em seu conceito.

O longa é sensível, profundo e bem triste. De certa forma, a história trata o maior pesadelo de todos os músicos amadores e profissionais, mas é mais do que isso. Aqui, o filme tenta repassar a importância que geralmente não se dá ao silêncio, e vai além, sendo uma mensagem para que cada um tente encontrar a si mesmo sozinho – sem precisar de nada para isso. Como encontrar felicidade no vazio do silêncio? Talvez essa seja uma das perguntas principais do filme.

A atuação de Riz Ahmed é incrível. O cara passa raiva, tristeza, orgulho e paixão. Ele toca bateria, se comunica em linguagem de sinais e executa todas as funções que lhe são propostas com maestria. A atuação não é necessariamente inesquecível, mas é excelente e é uma das grandes apoteoses dos últimos anos.

O acompanhando na atuação, Paul Raci interpreta Joe, o homem que guia Ruben no reaprendizado da vida. Paul consegue nos fazer acreditar que ele é de fato quem parece ser ali, não tendo nenhum momento falho, ou seja, é possível dizer que Joe é o personagem perfeito para ele. A dupla contracena tão bem que o filme não seria o mesmo sem a química entre ambos – é o clássico caso onde uma atuação levanta a outra para outro nível.

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A fotografia do filme não é inventiva e se utiliza de planos padrões, apesar de respeitar muito bem a progressão dramática das cenas. O trabalho é aprimorado através da montagem, que sustenta e levanta os cortes pensados pela fotografia, além da colorização que dá o tom em muitos momentos da trama.

Tecnicamente, o filme tem a sua maior inovação no design de som. É ousado e em muitos se utiliza de um absoluto silêncio para transcrever sentimentos – algo que poderia ser mais utilizado por grandes produções em Hollywood. Além disso, possui o grande mérito de transgredir o conceito de som no terceiro ato – algo que causa forte incômodo, traduzindo perfeitamente o estorvo emocional para o espectador que acompanha a história de Ruben. Nesse ponto, o filme é incontestavelmente bem executado.

Darius Marder conta uma triste história cuja jornada e seu final podem dividir opiniões. Discussões de inclusão sobre camadas minoritárias da sociedade, espiritualidade e a psique humana estão todas aqui em “The Sound of Metal” – ou, na versão brasileira, “O Som do Silêncio”… que é um belo nome, aliás.

Sound of Metal

Sound of Metal
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O baterista e ex-viciado Ruben começa a perder a audição. Quando um médico lhe diz que seu estado vai piorar, ele pensa que sua vida e carreira acabaram. Sua namorada, Lou, o leva para um lar de reabilitação para surdos a fim de evitar uma recaída e ajudá-lo a se adaptar à nova vida.
O baterista e ex-viciado Ruben começa a perder a audição. Quando um médico lhe diz que seu estado vai piorar, ele pensa que sua vida e carreira acabaram. Sua namorada, Lou, o leva para um lar de reabilitação para surdos a fim de evitar uma recaída e ajudá-lo a se adaptar à nova vida.
80/100
NOTA FINAL
Very good

O filme é profundo e delicado. Aos músicos e apaixonados por toda a aura musical, esse filme é altamente indicado. Para os mais sensíveis, o filme é um gatilho por tratar de questões profundas na vida humana e, principalmente, por abordar a busca do autoconhecimento.

Em uma síntese, o autor que escreve essa crítica pensa que o filme pode ser substanciado pelo filósofo Osho: “Procurando, buscando, investigando… você está em sério perigo! A qualquer momento pode estar amando, rindo, curtindo… e você pode acidentalmente encontrar Deus”.

O filme está concorrendo ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Montagem, Melhor Roteiro Original, Melhor Ator para Riz Ahmed, Melhor Ator Coadjuvante para Paul Raci e Melhor Mixagem de Som.

O Som do Silêncio está disponível na Amazon Prime Video.
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