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Kdoo Spiller

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Depois de meses de distanciamento social, já não é novidade pra ninguém a produção de uma série abordando o tema que marcará o ano de 2020. Entretanto, há tramas que conseguem se destacar ao levantar questões e problematizações que foram potencializadas pela situação atual e, ao mesmo tempo, trazer ao espectador uma doçura, uma esperança de que é possível encontrar o amor e a felicidade, mesmo em tempos difíceis… e Gameboys: The Series, websérie filipina produzida pela The IdeaFirst Company, é uma destas.

Desenvolvida de um modo aparentemente – porém proposital – “simplista”, a história de Cairo (Elijah Canlas) e Graveel (Kokoy de Santos) acabou envolvendo o público com carinho, mesmo tocando em algumas situações que afligem milhões de pessoas ao redor do mundo. Restritos pelo lockdown, os personagens interagem por meio de videochats e mensagens instantâneas, onde aprendemos mais sobre suas personalidades ao ‘stalkear’ suas postagens e Stories nas redes sociais.

Basicamente o seriado conta a história de Cairo, um jovem streamer que passa a maior parte deste período de quarentena trancado em seu quarto e transmitindo suas partidas online. Em ascensão na web, o jovem se vê intrigado ao ser derrotado por outro um outro jogador, Gav. Ao se aproximarem para marcar uma revanche, os dois acabam se envolvendo em um jogo muito mais complexo: o do amor.

Muito do que foi dito nas primeiras impressões sobre a produção (CLIQUE AQUI PARA LER NA ÍNTEGRA), permanece: a direção com o timing certo, o formato ágil de conversas via redes sociais e até mesmo a duração de cada episódio, calculada de forma inteligente para o espectador não se cansar. No entanto, somente com todos os capítulos no ar, é possível ver como o roteiro assinado exclusivamente por Ash Malanum foi aos poucos abrindo discussões como aceitação, compaixão e nossa conexão com as pessoas que amamos. E isso de forma orgânica, sem forçar ou querer ‘militar’ sobre a questão.

Foi um exercício de criatividade e amor à profissão movido por todos os envolvidos. O diretor Ivan Andrew Payawal comandava tudo de maneira remota. Sem uma equipe de filmagem, cenógrafos, maquiadores ou mesmo um set de gravação na maior parte da série, a produção dependeu muito dos esforços da equipe (incluindo os atores) para que fosse ao ar de uma maneira satisfatória e, após o encerramento de sua primeira temporada, pode se dizer que todos estão de parabéns.

Com a mira voltada nitidamente para o público jovem que consome seriados do gênero BL (Boys Love, histórias com teor homoafetivas mas que, geralmente, são voltados para o público feminino), a produção acabou atingindo um leque maior por trazer um roteiro muito mais palatável que outros do mesmo tipo e plots que fazem o espectador entrar numa verdadeira montanha-russa de emoções, provocando cada uma delas de forma certeira. Num mesmo episódio, é possível naturalmente gargalhar, se irritar e até mesmo cair aos prantos com as situações em que os personagens enfrentam.

E para isso acontecer, era necessário que o Gameboys se sustentasse em um elenco que tivesse a capacidade de não só cativar o público como também emocioná-lo. Assim, é inegável que nada disso não teria o mesmo impacto se não houvesse a adição de Elijah e Kokoy: a interpretação de ambos eleva o nível para um patamar onde dificilmente vemos em tramas como esta. Atores excepcionais, a dupla entrega cada diálogo com veracidade e paixão, o que prende a atenção do espectador quase que instantaneamente e mostra como o amor entre dois garotos pode sim ser retratado espontaneamente, sem estereótipos.

Uma vez em que o formato de videochats faz com que os atores na maioria das vezes olhem diretamente para a câmera, é possível ver cada expressão, cada sentimento transmitido. Em determinada ocasião, por exemplo, uma importante decisão é tomada pelo casal mas sem um único diálogo… É uma longa tomada em silêncio, com somente os dois se encarando e a trilha sonora ao fundo. Neste momento, são os olhos de ambos o veículo principal de comunicação entre eles, e muito ali é dito de forma magistral.

Além disso, a chegada de outros personagens como a divertida Pearl (Adrianna So) ou o ‘vilanesco’ Terrence (Kyle Velino) só agregam para revelar novas camadas à trama, o que garante momentos únicos na série. Em um ponto-chave da história, há uma sensível cena entre Cairo e sua mãe (Sue Prado) em que muitos jovens irão se identificar, especialmente aqueles que passam pelo problema de autoaceitação e que precisam de uma palavra de apoio e cuidado. É comovente e ambos os atores se entregam de corpo e alma, nitidamente.

Gameboys era um projeto que foi crescendo aos poucos e que hoje é um fenômeno, um universo de possibilidades, tanto que um derivado – a série Pearl Next Door, onde a vida da melhor amiga de Gav será retratada – está a caminho. Encerrando sua primeira temporada de maneira apoteótica e se consagrando com uma das melhores produções do gênero, ela conta com personagens extremamente cativantes e cheio de camadas ainda inexploradas, o que leva o público a pedir mais e mais histórias do sorridente ‘Anjo da Paz’ e seu rabugento ‘Vitorioso’. Não à toa que um filme está prometido pelo estúdio assim como uma nova temporada (anunciada oficialmente logo após a exibição do último episódio), abraçando ainda mais os temas aqui desenvolvidos – atrações como The Fosters e Love, Victor estão aí para provar que isso é possível.

Os problemas foram enormes (vide os problemas causados pelo lockdown, o que fez alguns episódios atrasarem para serem lançados), nada era certeza e tudo jogava contra Gameboys, mas os obstáculos foram superados e novos desafios virão. Mas usando uma gíria gamer, aqui o “game over” não cabe… Para Cairo e Gavreel, somente o “play” importa.

Assista a série (legendada em português) no player abaixo:

Gameboys: The Series

9.8

9.8/10

Pros

  • Elijah Canlas e Kokoy de Santos
  • Roteiro preciso
  • Direção ágil
  • Temas atuais
  • Duração dos episódios

Cons

  • Atraso na exibição dos episódios

Publicitário, designer gráfico e nas horas vagas um entusiasta de filmes, séries, animes, tokusatsus e HQ's desde os anos 90... Sem essa de Marvete ou DCnauta: o esquema é ter histórias boas para serem contadas! #FicaDica

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