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LoL | Confira entrevista com a Riot Games sobre o futuro da K/DA

Saiba sobre o futuro do Universo Musical de League of Legends e do grupo de sucesso Mundial K/DA.

Entrevista conduzida e realizada por Alexia Menezes e traduzida por Raphael Bogatzky.

Nesta sexta-feira (6) a grande espera acabou. O EP K/DA “All Out” está finalmente disponível em todas as plataformas de streaming, obtendo cinco faixas, duas já conhecidas pela comunidade como “The Baddest” e “More” que participou do show de abertura do Worlds 2020, e outras três, totalmente inéditas: “Villain”, “Drum Go Dum” e “I’ll Show U”.

Tivemos a oportunidade de participar da coletiva de imprensa, onde o Cabana conversou com Toa Dunn, head da Riot Games Music, e Patrick Morales, líder criativo de K/DA e Seraphine, sobre o novo EP, a construção da nova campeã dentro do grupo e o futuro de Ahri, Akali, Evelynn e Kai’Sa. Confira na íntegra:

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K/DA costuma ser descrita como uma linha de skins ligadas ao Marketing. Vocês concordam com isso?

As K/DA são mais do que Skins. As skins fazem parte delas, mas muito vem da nossa paixão por música, a paixão por criar esse mundo como um todo. Então para nós, é sobre como podemos criar uma experiência, como fãs da K/DA. Onde podemos encaixar a K/DA, e esse é realmente o nosso foco. E claro, ter skins legais é uma bela maneira dos jogadores engajarem com o grupo em jogo. Também é uma maneira de levar o League of Legends para além do cenário dos jogos, inclusive a ideia da K/DA surgiu antes mesmo da ideia de serem skins em LoL, era tudo sobre música e sobre como engajar os jogadores, então as skins são uma maneira legal dos jogadores se expressarem, mas nunca foi o principal objetivo, e vemos muitas pessoas que adoram o grupo, fazendo parte da comunidade de League ou não.

Quais são os objetivos de criarem personas com contas em mídias sociais? Como vocês lidam em fazer elas serem “humanizadas” e não manter apenas na “existência pop”?

Uma das coisas que nós queremos fazer é encontrar maneiras de nossos jogadores se conectarem com seus campeões. Esse nível de interação é algo que sempre consideramos como um sucesso, e esse ano quisemos fazer algo um pouco diferente, dando acesso a voz pelas mídias sociais e isso serve a dois propósitos: O nível de interação que mencionamos, e também porque queremos contar uma história. League é uma IP rica em história, e achamos que esse ano seria uma oportunidade legal para explorar se os jogadores pudessem de fato fazer parte dessa história. Então achamos que as mídias sociais são plataformas interessantes e queríamos ver até onde poderíamos ir nesse formato, e a história da Seraphine foi a que achamos bacana em utilizar, porque pensamos como poderíamos contar esse tipo de origem, de uma estrela em ascensão que se descobre e encontra um local junto com suas ídolas.

A True Damage tem um estilo bem diferente da K/DA e que também foi muito bem recebida. Então, nós podemos esperar para o universo de Runeterra e de Valorant mais exploração da multiplicidade dos estilos de música?

Nosso foco no momento é a K/DA, mas nós temos também Pentakill, True Damage, DJ Sona, então se algo for realmente bom, e tivermos o espaço de oportunidade e for algo que estamos procurando, nós vamos estudar como podemos usar isso. Mas no momento queremos ver o que jogadores e fãs realmente gostam e aprender com isso, para ver o que mais podemos oferecer.

Como vocês lidam com os copyright da K/DA? Os streamers, produtores de conteúdo e até mesmo fãs tem “liberdade” para utilizar as músicas do grupo?

Copyright de música podem ser um problema, é bastante complexo. Nós lançamos no início desse ano um catálogo de músicas que pertence 100% a nós, para que os streamers possam utilizar para fazer conteúdo e demos autorização para isso. Quando começa a envolver outras marcas e parceiros fica um pouco mais complexo, pois nós não temos os direitos sobre a música para cedermos para todo mundo, mas estamos trabalhando com parceiros muito bons, então vamos tentar ajudar no que pudermos, mas não possuímos 100% dos direitos de algumas coisas.

Quais são os itens que vocês levam em consideração na hora da escolher os artistas que fazem parte dos “featuring” do novo EP da K/DA?

O time passa muito tempo discutindo suas personalidades: quem elas são, seu papel na banda, seu papel na música. Então após termos um bom entendimento disso, isso nos permite procurar quais artistas poderiam nos dar um bom resultado, sendo compatível com a persona de cada integrante e com a música. Em All Out poderemos mostrar um lado novo das K/DA que ainda não havia tido oportunidade de aparecer, pois poderemos mostrar as personalidades individuais das integrantes.

Vocês podem descrever o processo criativo para fazer as músicas e o desafio específico de criar uma música pop que acaba se tornando um “hit”?

Vem todo de um processo, como comentei antes, de construir os personagens, entender suas funções, tudo isso é parte singular do processo criativo. Tudo tem influência e impacto, então quando realmente chega na parte de fazer a música, é sobre o que a música significa para a banda, “qual é o papel dessa?”. Lá pra 2018, foi o debut da K/DA, então também tem muito a ver com a jornada da banda. E é assim que começamos a criar tudo.

Devido ao sucesso da K/DA, vocês acham que esse fenômeno pode acabar se tornando um problema para criar algo tão grande quanto, mas diferente do gênero pop?

Acho que não, porque sucesso é bastante relativo ao objetivo que temos com algo, e bem, com K/DA nossas intenções era encontrar algo que estivesse dentro da cultura pop do momento, então existia a ambição de estar nesse espaço, mas quando olhamos a variedade do nosso catálogo de músicas, eu sinto que cada uma das partes disso representam objetivos diferentes, então eu não necessariamente compararia apenas eles. Então, no geral, não acredito que isso seja limitante, e não sentimos a pressão do sucesso das K/DA de forma negativa.

Muito do marketing do K-Pop é ligar as pessoas a algum membro individual do grupo. Uma vez que as personagens são parte de um jogo, o quão importante é as vozes por trás das personagens, as vozes reais nas músicas, para criar essa relação dentro da comunidade?

Uma coisa única sobre a K/DA é que já existe uma ligação pré-definida sobre quem o campeão é, pelo menos para nossos jogadores. Então já existe o contexto de como cada uma delas é, por isso acho que a questão única da KDA é como transpor suas personas para esse universo alternativo, então boa parte de nosso trabalho é garantir que elas se mantenham fiel a personalidade delas, e faz parte da divisão criativa pensar que as personagens em jogo são correspondentes a dita realidade. Sobre a importância das vozes nessas personagens, eu concordo, em grupos pops todo mundo tem a sua favorita, e isso é realmente importante sobre como você desenvolve o grupo, cada uma tem uma função específica, então é sobre desenvolver isso e garantir que tenhamos uma experiência criativa e positiva mostrando as coisas que os jogadores realmente amam, só que no contexto musical.

Qual a influência que vocês vêem para agora e para futuras gerações, quando temos a oportunidade, por exemplo, de apresentações musicais dentro do jogo?

Nós estamos olhando para todos os tipos de oportunidades. “Então qual seria a melhor apresentação?”: poderia ser no jogo, fora do jogo. De qualquer forma, temos tecnologias muito legais e muitas coisas para se considerar, por isso acho que é sobre descobrirmos o que queremos fazer e o que os fãs adorariam ouvir e ver o que nós podemos fazer.

A K/DA parece uma banda que poderia existir com pessoas reais, mesmo que suas integrantes tenham vindo originalmente de um Universo de fantasia como o League of Legends. Como vocês fazem para preencher esse projeto enquanto mantém a autenticidade das garotas como elas vieram do League?  

De fato é importante que os jogadores que são muito fãs de uma personagem, tem que conseguir continuar tendo a sensação de que na K/DA ela ainda é a mesma personagem. Acho que a Akali é um bom exemplo, ela é bem popular e acreditamos que isso é porque ela tem um bom nível de autenticidade. Quando você olha para a identidade Canon dela, ela é responsável por esse movimento insurgente que está ocorrendo em Ionia. Sabe, ela é uma protegida de Shen, mas ela não acredita nas mesmas convenções que ele, ela pertence a uma nova geração iconoclasta que desafia. Então para nós, essa característica de ela ser uma rebelde era algo importante que precisávamos preservar, porque é algo pelo qual muitas pessoas a conhecem. Então quando criamos a K/DA nós pensamos sobre como trazer esse aspecto para esse contexto. Ela é nova, é forte, é “fo****”, então porque não fazê-la rapper? Sabe, fazer essa história dela ser esse talento novo da indústria da música que quer mostrar um lado diferente do pop através de uma atitude impetuosa. Então foi assim que começamos a juntar as peças para a Akali, e aí fizemos isso com todas as personagens, para realmente parecer com elas, tanto sobre quem elas são como campeãs e como elas são dentro do espaço da música.

Existe a possibilidade de vermos um crossover entre as bandas de League of Legends?

Ah, sim. Quando você segue a história da K/DA, da Akali mais especificamente com a True Damage, é uma jornada desse jeito, é o primeiro passo nessa direção, então nós pensamos no universo Musical como um universo real onde nós temos possibilidades de fazer essas interações. Você tem, por exemplo, as aparições do Yasuo nas revistinhas participando da produção das novas músicas da K/DA, e nós ainda temos mais para vir, já que todos eles existem na mesma realidade. Então isso é só o começo, de fato existe o potencial para muito mais disso no futuro, e estamos com expectativas de ver para onde isso vai.

Devido a pandemia, foi necessário mudar algum dos planos originais da K/DA, talvez vocês tiveram que adiar algo ou cancelar?

A resposta curta é sim. Nenhum de nós esperava algo como o Covid, com esse efeito e impacto global, e nós definitivamente estávamos planejando uma campanha diferente. Um dos exemplos disso é que originalmente estávamos planejando fazer muito mais eventos com presença de “vida real”, onde teríamos festivais e convenções, porque realmente queríamos criar o caminho para a K/DA de uma maneira bem legal, que mostrasse nossa dedicação ao universo musical e como queremos trazer isso para as pessoas. Então acho que teve uma consequência infeliz nos eventos mundiais, mas eu acho que a consequência positiva que saiu disso é que nos desafiou a ser muito mais criativos em termos de como poderíamos fazer ainda a mesma coisa, mas online. E isso deu origem a toda essa aproximação com mídias sociais, onde queríamos que os jogadores criassem conteúdo K/DA e marcassem com as hashtags, e achamos que é isso que os fãs estão procurando, independente de estar fazendo algo com pessoas em volta ou de suas casas, ainda ser capaz de participar dá uma sensação bastante especial, e ficamos bastante felizes com isso.

Alexia Menezes, pelo Cabana do Leitor: Nós teremos outros grupos com a mesma estratégia de Marketing que a K/DA? Eu acho que os fãs esperam bastante o mesmo tipo de Hype para a True Damage ou Pentakill.

Eu acho que para nós, nosso foco no universo musical, se a pergunta “Ei, nós planejamos revisitar algumas das nossas bandas favoritas?” a resposta é sim, isso é o que esperamos fazer no futuro. Nós não vamos fazer isso exatamente igual, ficar repetindo exatamente a mesma coisa, é sobre criar coisas únicas e especiais, e às vezes as coisas dependem de como você se aproxima delas, se você cria um meio único e especial, acho que esse é o verdadeiro objetivo. Assim como muitas coisas que nós fazemos, isso foi um experimento de muitas formas, então nós vamos pegar o que funcionou bem e que os jogadores amaram e levar isso em consideração, mas acho que tudo depende do que teremos como objetivos no futuro, tudo que tivemos esse ano com a K/DA e a Seraphine foi por termos objetivos bem definidos. Então se fizer sentido implementar algo parecido no futuro, isso não estará fora de discussão, mas também sempre buscamos trazer experiências legais que façam os jogadores se sentir parte disso, então, vamos ver.

O universo da Riot Games é infinito, nós estamos vendo a Riot superar todas as barreiras de um jogo. Então vocês acham que é possível aproveitar a vantagem desse momento para a K/DA virar algo como um filme ou uma série, devido ao sucesso que tem hoje em dia?

Isso seria incrível. Acho que isso é uma coisa que sempre nos inspira, mas é difícil dizer agora, sabe, nós sempre vamos estar focados em criar coisas bem legais, mas um filme seria difícil, eu não sei.

Tradicionalmente, grupos pop colaboram com uma variedade de produtores, cantores e escritores em adição de escreverem sua própria música, o que não pode acontecer com personagens digitais. Quantos produtores individuais estão à disposição da Riot Music Group, e como vocês mantém diferentes tipos de música, como algo da K/DA versus algo da Pentakill separados, e/ou existe um produtor separado para ambas? Como o processo de colaboração tem sido, com produtores de diferentes companhias?

Para nós é sempre um processo divertido, então nós, da Riot Music, como um time, nós temos uns 5 ou 6 compositores nossos, nós também temos produtores, que trabalham junto com eles, e esses produtores trabalham com tudo desde produzir a música até trabalhar o talento, assim como quando vamos ter apresentações ao vivo. Nós também temos coordenadores de produção, nós basicamente temos uma equipe de produção completa própria. Agora, quando é sobre os diferentes tipos de músicas, e bandas diferentes, então alguns são mais interessados em uma das bandas, mas é realmente um trabalho de equipe, então não é como se tivéssemos apenas um produtor que é capaz apenas de fazer um tipo de música, é um grupo super talentoso que trabalha junto, e quando trabalhamos com outros produtores, é importante que seja uma colaboração, porque é muito importante que nos aproximemos para que eles entendam a visão da música, o que estamos tentando atingir, e trazer tudo que já dissemos antes, sobre quem os personagens são, o que as músicas são, e quando tudo isso se junta nós podemos chegar no produto final que se espera da música pronta. Constantemente vemos a piada no youtube de que vamos virar uma companhia de música, mas pra ser honesto, estamos fazendo música muito antes das K/DA, isso faz parte do charme de League of Legends, nossos jogadores amam sobre como estamos fazendo temas para campeões e para o eSport, porque isso é uma parte importante da experiência. Acho que a K/DA só representa o nível de evolução mais atual de tudo isso, e acho que a razão de termos tanto sucesso ao longo do tempo é que temos compositores próprios muito fortes além de um processo de colaboração muito bom.

K/DA soa como um grande projeto, temos produtores, escritores, músicos, coreógrafos, tudo que vocês já mencionaram, mas vocês tem ideia de quantas pessoas estão trabalhando nesse projeto? E vocês podem falar um pouco mais de outras pessoas trabalhando por trás dos bastidores, não só o elemento da música, mas todos os outros envolvidos.

Quando pensamos em todos os diferentes temas que a K/DA toca, acho que muitos de nós está no time de música, mas aí começamos a pensar nos vídeos, tudo relacionado a estratégia de performance, as coisas relacionadas com as skins, é muito esforço da Riot em fazer algo tão grande. São muitas pessoas de diferentes times, é um projeto em uma grande escala.

Agora que vocês tem uma nova IP, o Valorant, existe todo um novo mundo, vocês pensam nesse universo como uma possibilidade para projetos musicais assim como o League of Legends?

Eu diria que potencialmente. Acho que Valorant em específico é sobre o jogo por enquanto, e nós tivemos anos e anos para evoluir dentro do League of Legends para chegar até aqui, sabe, alguns dos projetos começaram em 2013, e aí fomos fazendo temas para eSports, essa evolução foi acontecendo com o tempo, mas é sobre a autenticidade que temos que falar, tem que fazer sentido, nosso objetivo não é só tornar tudo em música, queremos que seja apaixonante e excitante, fazer sentido, todas essas coisas tem que vir antes de começarmos a explorar essa possibilidade.

ALL/OUT traz uma evolução nas personagens e no grupo. Qual foi o maior desafio para atingir essa evolução?

Eu acho que o maior desafio, para nós, é, após POP/STARS definir o som inicial, fazer  a evolução da forma correta, porque você não quer que evolua para algo tão diferente, sabe, se fosse algo totalmente novo nunca escutado antes, talvez não ficasse bom porque apenas pareceria algo diferente e, você tem que evoluir de uma maneira que pareça natural. A gente sabe de onde elas vieram, nós conhecemos a POP/STARS, e quando você ouve a THE BADDEST pela primeira vez não é algo totalmente novo, é “Sim, elas voltaram”, então é um pouco sobre criatividade, sobre como você evolui de uma maneira que continua conectada com a fã base. Então na minha opinião, o desafio seria como fazer essa evolução ligando todas as coisas.

Essa não é a primeira vez que ouvimos letras que não são em Coreano ou em Inglês, então vocês pensam em continuar expandindo as línguas usadas nas músicas oficiais da K/DA?

Mais uma vez, é sobre a história, é sobre a jornada, tudo sobre a K/DA estar voltando aos holofotes, a jornada da Seraphine, e esse choque de ela estar colaborando com suas ídolas, então ela está sendo apresentada nessa música, quem é a Seraphine, é tudo sobre a história. Sabe, a Riot Games é verdadeiramente global, e música pop no geral é algo que está restrito a um único tipo de formato, e nós queremos estar constantemente evoluindo. Então a língua não é algo que nós pensamos estritamente que precisamos usar para fazer algo, então acho que esse é apenas uma das nossas filosofias como uma companhia global.

THE BADDEST“, o primeiro single do EP ALL/OUT, lançado hoje, alcançou o número 1 no ranking de vendas da Billboard World Digital e já tem mais de 29M de visualizações no YouTube desde sua estreia, em 12 de setembro.

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