O Mecanismo | Netflix apresentou a série em coletiva no Rio

DSC 0642

Netflix apresentou “O Mecanismo” em uma coletiva de imprensa no último dia 15 de Março, no Belmond Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, com a presença do elenco, diretores e VP de Conteúdos Originais da plataforma.

O Mecanismo é uma série brasileira original da Netflix, inspirada na Operação Lava-Jato, que estréia dia 23 de Março.

DSC 0642
Foto: Tamara Magalhães

O evento foi iniciado com uma conversa descontraída entre José Padilha e Malu Gaspar, repórter da revista Piauí, que o questionou sobre sua visão política e sobre o que o levou a criar a série.

“Essa série [O Mecanismo] tem uma característica. É muito fácil explicar ‘polícia e ladrão’: um cara tem uma arma, quer pegar o ladrão, o outro quer fugir… Isso é fácil. Fazer uma série com lavagem de dinheiro é muito mais complicado, pra mim. Então, a gente tem que explicar bastante no começo, mas ela vai acelerando.”, Padilha respondeu sobre a dinâmica vista no episódios iniciais que foram liberados para a imprensa.

A série será lançada em 190 países, onde a Netflix está presente, e Padilha acredita que o público na América Latina irá entender a temática corrupção no Brasil, porque a lógica da política do nosso país não é tão diferente da política do México, por exemplo. Fora da América Latina, ele não tem como prever, mas confia que a série tem ótimos atores, trilha sonora e várias outras coisas interessantes.

Os atores Selton Mello, Carol Abras, Enrique Diaz e Jonathan Haagensen, os diretores Marcos Prado, Felipe Prado e Daniel Rezende e a escritora Elena Soarez, se juntaram à José Padilha para dar continuidade ao evento mediado pelo influenciador digital Hugo Gloss.

Perguntados sobre a reação ao receberem os roteiros, a atriz Carol Abras respondeu:

“Minha primeira reação foi bem interessante. Se a gente for pensar que a Verena é uma liderança feminina e, nesse momento atual, ser representada em uma série dessa dimensão foi uma grande motivação.”

Selton Mello explicou como a parceria com o Padilha se concretizou, pois desde Tropa de Elite 2, eles tinham vontade de juntar forças, mas que por conta da agenda de Mello não foi possível. Então, o diretor o apresentou a ideia interessante e história relevante para essa série, com um personagem fascinante e finalmente aconteceu.

Elena Soarez reforçou que a série é uma ficção e falou do desafio narrativo em se produzir uma história que cria proporções cada vez maiores.

O diretor Marcos Prado acredita que “dentro dessa história inspirada pela Lava-Jato, o que vai atrair o público é a intimidade dos personagens, a vida pessoal de cada um ali. O ponto de vista deles vivenciando a situação dentro dessa investigação.”

O personagem de Enrique Diaz é um vilão carismático, mas o ator não tem como saber se o público irá amá-lo ou odiá-lo. Ele acha interessante que as pessoas possam viver a complexidade do personagem que acaba sendo uma questão de moral, pois é um cara que tem família, é bastante tranquilo, mas que comete atos ilícitos.

DSC 5734
Foto: Julia Knop

Nós, do Cabana, tivemos a oportunidade de perguntar voltando ao histórico de José Padilha, que considera suas produções Ônibus 174, Tropa de Elite 1 e 2 uma trilogia, o que ele (e a co-criadora) buscam com “O Mecanismo”. E sendo uma trama policial, como fugiu do discurso autoritarista que o público entendeu nos filmes anteriores, mesmo não sendo a mensagem que ele tinha a intenção de passar.

Padilha deixou claro que “não tem nenhum discurso autoritarista em nenhum dos filmes que a gente fez. A gente faz filmes. Quando você enfoca em um policial, você está focando em um personagem que tem autoridade, então ele investiga pelo cargo que ele ocupa. Se você enfoca em um político, ele tem uma autoridade dentro dessa estrutura hierárquica de administração do Estado. Nesse sentido, sim, os personagens tem autoridade até certo ponto. Com relação a correlação entre “O Mecanismo” e  Ônibus [174] e os Tropas [1 e 2], eu não pensei em uma correlação direta entre esses projetos.

“É só que, no Brasil, é impossível fazer qualquer coisa que não esteja correlacionada à corrupção. A corrupção está em todos os lugares.”

“Se eu for fazer um filme sobre saúde pública, vai ter corrupção. Se for fazer um filme sobre política ambiental, vai ter corrupção, vide “Belo Monte”. É quase impossível fazer qualquer coisa no Brasil que não tenha corrupção. Porque o mecanismo está subjacente a quase tudo isso. Dessa maneira, é quase inevitável. Mesmo que eu não quisesse, iria ter [corrupção].”

“O Mecanismo” estréia completa dia 23 de Março, na Netflix.

 

Total
0
Shares
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Related Posts