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Paulo H. S. Pirasol

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A Troca foi escrito por Beth O’Leary, lançado pela editora Intrínseca em novembro com tradução de Ana Rodrigues. A autora também escreveu Teto Para Dois e irá lançar uma nova obra em 2021, intitulada The Road Trip.

Beth O’Leary, licenciada em inglês, trabalhou em edição de livros infantis. A Troca, sua nova obra, já teve os direitos adquiridos pela Amblin Partners, produtora de Steven Spielberg, para a realização de uma adaptação.

O livro começa com Leena, uma jovem de 29 anos, workaholic (viciada em trabalho), até então nossa narradora, cuja vida fica em Londres com os amigos e o namorado. Ela é obrigada a tirar dois meses de férias, e entra em uma espécie de conflito.

Leena já não era mais a mesma depois da morte da irmã, Carla, deixando de viver para si e até de manter uma relação com a mãe e de visitar sua avó. Agora com dois meses de licença, ela sente que perdeu o único espaço onde se sentia vivaz. No segundo capítulo, somos apresentados a Eileen, avó de Leena, que agora é a narradora.

“Já se passaram quatro gloriosos meses desde que meu marido se mandou com nossa professora de dança, e, até este exato momento, não senti falta dele nem uma vez.”

Eileen, uma senhora de 79 anos, cuja vida ficou estagnada ao ser dividida em uma liquidez amorosa, está livre para retornar aos sonhos sacrificados quando nova. Entretanto, acredita que sua vida está condenada a Hamleigh, um lugar pequeno e tranquilo demais para quem deseja explorar a vida. Em seu caderninho, ela anota prós e contras dos senhores que vivem ali, para fins amorosos, e durante a semana, Eileen dedica a vida a ajudar o bairro e fazer companhia para sua filha Marian, mãe de Leena e Carla.

“ Basil Wallingham

Prós:

Mora aqui na mesma rua… não é muito longe para ir a pé

Tem dentes

Ainda tem energia para espantar esquilos dos comedores de passarinhos

Contras:

Incrivelmente entediante

Está sempre usando tweed

É quase fascista ”

Aqui começa a brincadeira da autora. Beth O’Leary é capaz de nos fazer acreditar na suas interpretações como narradora, ela nos convence ser Leena em algumas páginas e Eileen em outras, não só pela linguagem, mas pela composição: são ambientes diferentes, personagens secundários, objetivos e conflitos. Criou-se duas histórias construídas de maneiras bastante ricas que dividem o tempo do leitor. Por isto, uma das expectativas que ficamos é quanto ao cruzamento destas duas.

“ – Você não falhou, querida. Você está estressada, é isso. Por que não vem passar o fim de semana aqui? Tudo fica melhor com uma boa xícara de chocolate quente. Vamos conseguir conversar direito e você vai poder descansar um pouco disso tudo aqui em Hamleigh…”

Ao visitar a avó, Leena descobre os interesses amorosos de Eileen, e na tentativa de ajudá-la, a neta afirma que aquela cidade é muito pequena, logo as possibilidades de encontrar um par interessante são pouquíssimas. Com o convite, a avó vai para Londres com o objetivo de ajudá-la a buscar os sonhos que deixou de viver, deixando sua importância para a comunidade e a companhia que faz para à filha, Marian. Agora, Beth O’Leary, além de explicar seu título, sugere um desafio para si mesma.

A Troca propõe dois mundos diferentes muito além de suas narradoras, existe a composição do que cada espaço representa e quais personagens os preenchem.

“Porque essa troca é uma ideia maluca, é claro. Insana.”

É extraordinário a paciência que a autora tem para criar dois mundos e depois substituir suas narradoras, tendo que passar pelo exercício de: até onde um personagem é influenciado pela composição ao seu redor?

A obra é uma aventura que vai além da narrativa, é pela experiência de viajar entre os capítulos e redescobrir personagens que foram tão bem introduzidos.

a troca

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