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Resenha| Matadouro Cinco

Um livro sobre tragédia, morte e maldade humana com toques de humor.

Matadouro 5 foi publicado pela primeira vez em 1969 e, no dia 1° de março de 2019, ganhou uma versão publicada pela editora Intrínseca. O livro foi escrito pelo autor Kurt Vonnegut, que possui uma carreira de mais de 50 anos, publicou quatorze romances, três coletâneas de contos, cinco peças de teatro e cinco trabalhos de não-ficção.

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O livro conta a história de Billy Pilgrim, um capelão do exército americano que virou prisioneiro de guerra alemão. Misturando elementos de ficção científica e uma comédia ácida, a história fala sobre tragédias em meio a segunda guerra mundial.

”Não há personagens nesta história e quase nenhum confronto dramático porque a maioria das pessoas nela está muito doente e tantos brinquedos apáticos de enormes forças. Um dos principais efeitos da guerra, afinal, é que as pessoas são desencorajadas a serem personagens. Mas o velho Derby era um personagem agora.”

O autor se propusera a contar uma narrativa anti-guerra, onde ele satiriza a morte e a maldade humana, fazendo com que as catástrofes se tornem algo banal, como fazemos hoje em dia. O intuito é mostrar o quanto estamos acostumados com a desgraça, e o quanto nos divertimos com o sofrimento de milhões.

Com viagens no tempo e alienígenas, o autor faz uma reflexão sobre o que realmente é a vida, e o quanto uma tragédia pode marcar a mente de alguém, fazendo-a perder a noção de tempo e espaço, enclausurando o poder de distinção que nos é herdado na evolução.

“Naquela época, eles estavam ensinando que não havia absolutamente nenhuma diferença entre ninguém. Eles podem estar ensinando isso ainda.”

Contando uma história real com elementos fictícios, a história remonta o bombardeio em Dresden, onde morreram mais de cem mil pessoas. O personagem principal se vê preso à um looping de viagens no tempo ao longo de sua vida, mostrando uma trajetória inteira vivida em função da morte. Seu cérebro perante o trauma, anestesia o personagem com visões de uma vida bela em um futuro próspero porém, o desespero da guerra sempre o acompanha.

O livro é muito rápido de ler e a leitura é de fácil acesso, o autor brinca bem com as palavras e adiciona piadas no momento certo, geralmente para quebrar o clima de tensão ou para banalizar a morte propositalmente.

As entrelinhas são muito mais profundas do que o plano de fundo, nos fazendo pensar qual o caminho que a humanidade está tomando rumo a uma evolução forjada pela chacina.

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