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Rodrigo Roddick

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Sociedade pode ser um fardo para algumas pessoas. Viver de acordo com um sistema em que se deve responder a certos padrões pré-estabelecidos pode pressionar alguns indivíduos a fugir do convívio social. Em Oblivion Song – Entre Dois Mundos, Robert Kirkman se concentra mais intimamente no tema e traz provocações sobre o que chamamos de vida.

Entre Dois Mundos é o segundo volume da novela gráfica criada pelo autor de The Walking Dead, Robert Kirkman. Ela chegou no Brasil em janeiro através da Intrínseca. O primeiro volume, A Canção do Silêncio, foi publicado no ano passado em abril.

Em A Canção do Silêncio, a história se concentrava no esforço de Nathan em encontrar seu irmão e trazer todas as pessoas perdidas em Oblivion de volta ao mundo de origem. A HQ termina com o protagonista encurralado pelo exército levando-o ao lugar onde estava o gerador – este que desencadeou a “Transferência”. É a partir deste ponto que se inicia a narrativa de Entre Dois Mundos.

Nathan começa explicando como tudo aconteceu e como se sente culpado por ter levado mais de 300 mil habitantes para uma dimensão alienígena hostil. Ele carrega essa culpa mesmo sabendo que a tecnologia foi desenvolvida por uma equipe de cientistas, não apenas por ele. Ainda assim ele é mantido preso, pois o responsável do exército quer transformar o gerador em uma arma.

Para evitar que isso aconteça, Nathan pede ajuda a seu irmão Edward – que havia retornado à Terra – e tenta roubar o gerador da base militar em que estava preso. No meio do processo, Ed liga a máquina e realiza uma nova “transferência” de menor porte, levando mais pessoas para Oblivion.

Neste segundo volume, a história propõe uma reflexão sobre a formação de “nosso mundo”, o sistema estruturado que transforma nossa vida em realidade cotidiana. O tempo inteiro, através de Edward Cole, Robert Kirkman está convidando o leitor a deixar a bolha social que ele habita; a olhar para este mundo e se perguntar se ele é realmente vivo e verdadeiro; a investigar por que nós vivemos num ciclo ininterrupto de afazeres que não nos satisfaz.

Edward quer o tempo inteiro voltar para Oblivion porque ele deseja viver de verdade e não apenas atender às exigências de um sistema cuja finalidade é manter o próprio funcionamento perpétuo. Apesar do protagonista Nathan não concordar, Kirkman constrói o irmão para apoiar sua argumentação de que estamos mais próximos da vida quando lutamos a todo momento para mantê-la. 

O espectador pode perceber que esta é uma questão recorrente nos trabalhos de Kirkman, pois The Walking Dead trata da mesma dialética.

Não é à toa que a comparação predominante neste segundo volume é Entre Dois Mundos.

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