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Resenha: “Ousadas – Mulheres que fazem o que querem”

Pénelope Bargieu traz as histórias de quinze mulheres que quebram totalmente a expressão “Sexo frágil”.

Publicada no Brasil pela editora Nemo em julho de 2018, Ousadas – Mulheres que fazem o que querem vendeu mais de 200 mil exemplares apenas na França. Além dela, a autora lançou através da mesma editora a HQ Morte Horrível. Pénelope Bagieu também é responsável pelo blog Ma vie est tout à fait fascinante (Minha vida é realmente facisnante) onde conta, com ilustrações e bom-humor, histórias do seu cotidiano.

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Neste primeiro volume, Pénelope nos traz histórias de 15 mulheres de épocas distintas que fizeram muita diferença na história. Entre arte, política e ciência, todas essas senhoritas revolucionárias tiveram algo em comum: desafiaram os protocolos sociais de suas épocas para tornar o mundo um pouco mais igualitário, principalmente para as meninas das gerações futuras.

A imersão começa quando abrimos a HQ e nos deparamos com ilustrações coloridas e divertidas. Apesar de algumas histórias serem mais impactantes e nem sempre terem finais felizes, a leitura permanece leve devido aos traços e cores escolhidos.

Outro fator importante é a escrita de Pénelope. Através de trechos bem-humorados, a autora consegue destacar o ponto forte de cada personagem, nos dando uma verdadeira aula de empatia, caridade e feminismo.

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A viagem literária continua e através dela conhecemos diversas mulheres maravilhosas como Margaret Hamilton, a atriz que usou sua beleza peculiar para alavancar sua carreira no cinema através de papéis de bruxas. O mais famoso é a Bruxa Má do Oeste (Wicked Witch) na emblemática versão de O mágico de Oz (1983). Também apresenta Agnodice, a grega que se disfarçava de homem para exercer a ginecologia e salvar diversas mulheres da morte por complicações no parto. E Christine Jorgensen, a mulher transexual que inspirou o filme A Garota Dinamarquesa.

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Ao fim da leitura um choque de realidade: crescemos ouvindo histórias – reais ou não – de homens que salvaram o mundo com força e coragem, fizeram descobertas impressionantes e tiveram reconhecimento e honrarias, enquanto as mulheres permaneceram em segundo plano, sendo educadas para nunca terem voz, obedecerem sem questionar e serem donas-de-casa excepcionais.

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Obras como a de Pénelope são cruciais para que nossa sociedade seja educada daqui em diante e para ressaltar a importância das mulheres na evolução do mundo. Dar destaque aos feitos dessas heroínas é um dos muitos passos necessários para alcançar a tão sonhada igualdade entre os gêneros, para vivermos em uma comunidade consciente de que mulheres podem ser o que quiserem, sem margem para julgamentos.

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Ousadas – Mulheres que fazem o que querem é uma novela gráfica que nos faz pensar, principalmente, o quão injusto é ver mulheres incríveis – que salvaram vidas, ganharam Nobel da paz, revolucionaram a indústria cinematográfica e morreram por lutar pelos oprimidos – terem histórias ofuscadas.

Em uma sociedade onde o patriarcado domina até as histórias revolucionárias, excluindo grande partes das mulheres brilhantes da história, um compilado de narrativas como Ousadas é extremamente necessário para nos fazer enxergar que ser mulher forte é um ato de revolução.

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