Resenha | Polina

Dance como Polina pelas páginas de fluidas de Bastien VIVÈS.

A HQ de Bastien VIVÈS, trazida ao Brasil pela editora NEMO, vai além de uma história de superação. Dos desenhos ao roteiro, conseguimos enxergar sentimento, criamos afeto e pedimos por mais um pouco de Sebastien.

Livro: Polina | Grupo Autêntica

Polina Ulinov é uma menina que, desde muito nova, tem um grande sonho de se tornar bailarina. Surge a oportunidade de entrar em uma das melhores escolas da Rússia e, com êxito, consegue a vaga, aos 6 anos de idade. A pequena tem a chance de ter como mestre Nikita Bojinski, muito conhecido por seus métodos rígidos e exigentes de ensino, temido e admirado pelos alunos.

” Se querem algum dia se tornar dançarinas, precisam ser flexíveis. Se não são flexíveis aos 6 anos, serão ainda menos aos 16. A flexibilidade e a graça não se aprendem. São dons.”

O laço entre Polina e seu professor dura anos, apesar de passarem por momentos turbulentos, que vagam entre discussões e certa submissão. A antiga garotinha, agora uma mulher, se vê na vontade de conhecer novos ares, e se permite afastar-se do docente e viver outras experiências dentro da dança. Suas novas vivências dão um grande salto em sua carreira, tornando-a uma renomada coreógrafa internacional. Mesmo com todo o sucesso, Polina sente que parte de sua conquista deve ser dividida com o seu antigo mestre, seria uma espécie de dívida.

Grupo Autêntica on Twitter: "Mais um grande sucesso do quadrinista  #BastienVives chega aos nossos leitores. Siga o 🧶 e conheça um pouco mais  da história de #Polina.… https://t.co/iKb36Ld3bS"

Não é de hoje que Bastien VIVÈS nos presenteia com histórias brilhantes e retratadas com muito sentimento. O autor é recorrente na própria editora NEMO, que publicou Uma Irmã, quadrinho de 2018 que também recorre à assuntos muito delicados. Além dos dois livros já citados, pode-se encontrar traduzido O gosto do Cloro, Olympia e A Grande Odalisca, sendo os dois últimos apenas ilustrados pelo artista.

Polina recebeu o Prix des libraires de bande dessinée (canal BD) em 2011 e também é detentora do Grand Prix de la critique da ACBD, prêmio esse que reconhece o quadrinho como melhor do ano, de acordo com a bancada crítica francesa.

Resenha: Polina (Editora Nemo) -

A narrativa conta com várias mensagens marcantes, mas a maior delas é sobre a gratidão. Apesar da relação complexa entre Polina e Bojinski, quando a menina começa a caminhar com suas próprias pernas, se vê pensativa sobre situações que, anteriormente, se recusava a aceitar quando apontadas pelo seu ex-professor. Um quebra-cabeças de experiências é montado até que a personagem se dê conta de tudo o que seu antigo mentor lhe ofereceu de bagagem. Isso vira uma dívida, que deve ser quitada pessoalmente. O reencontro é de deixar nossos corações levinhos.

A caminhada da aluna até chegar à coreógrafa de sucesso é retratada de maneira muito fluida e impecável. A passagem do tempo, a mudança de personalidade e o crescimento profissional da pequena bailarina é acolhedor. O leitor acaba criando um vínculo com a jornada de altos e baixos, mas sem desistência, da jovem dançarina.

Bandas Desenhadas on Twitter: "Polina, de Bastien Vivès #polina  #bandasdesenhadas #levoir #bastienvives https://t.co/RIaBskgSxK… "

Os traços orgânicos da obra são os responsáveis por ajudar na fluidez do texto, ganhando destaque por entregar mais sentimento. Eles podem assustar na primeira foleada de páginas, mas conforme a leitura, é ele quem vai tocar o coração do leitor, com expressões corporais e faciais definidas em quadros importantes. Não é à toa que VIVÈS carrega o título de um dos principais nomes do quadrinho contemporâneo.

Polina é o tipo de história para se ler com calma, para degustar os detalhes. É de uma leitura muito fácil, muito dinâmica, que não cansa e que pode ser lida algumas vezes seguidas.

Retrato da dança com a fluidez de Bastien VIVÈS.

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