Review | Resident Evil Village

O novo jogo da famosa franquia de survivor horror chegou, e você pode conferir aqui todos os detalhes do gameplay.

O oitavo jogo da franquia principal de Resident Evil chegou dia 07, para a felicidade dos fãs e dos gamers órfãos de grandes títulos com a onda de adiamentos devido ao COVID-19. E como de costume, aqui vão as minhas considerações sobre o novo jogo de uma das minhas franquias favoritas de todos os tempos.

Resident Evil Village é uma sequência direta dos acontecimentos do sétimo jogos da franquia, que se passaram na Louisiana e nos apresentou Ethan e Mia Winters. Antes de qualquer coisa, precisamos entender um pouco sobre a essência que acompanha tanto o primeiro jogo quanto a sequência.

O diretor Morimasa Sato continua na liderança do projeto, e essa é a chave das semelhanças tão grandes entre o 7° e o 8° jogo. A ambientação, mesmo que migrada da claustrofóbica casa dos Bakers para os locais a céu aberto da longínqua Romênia, tem basicamente a mesma aura. O terror permanece, mesmo que em menor quantidade, auxiliando a vulnerabilidade do protagonista a trazer o survivor horror que a própria Capcom criou 25 anos atrás. A critério de curiosidade, Sato foi responsável pela criação do icônico vilão Jack Baker.

Tsuyoshi Kanda, um dos 3 produtores de Village, também trabalhou no projeto do 7° jogo e no aclamado Resident Evil 2 Remake. Kanda ajudou e muito a atualizar a ação do jogo atual, em vista ao gameplay do game anterior.

Peter Fabiano, que além de produtor também é gerente sênior do departamento de Pesquisa e Desenvolvimento Global da Capcom, foi responsável pela localização de Resident Evil Revelations e trabalhou em todos os jogos da franquia de lá pra cá. Ele também emprestou rosto e voz para o personagem Peter Walken, que aparece no começo do 7° jogo.

O 4° produtor é ninguém menos que Masachika Kawata, conhecido de longa data dos fãs da franquia. Kawata começou sua jornada na Capcom em 1996, e trabalhou em 9 jogos de Resident Evil, incluindo o Resident Evil 3 lançado em 1999. Além de trabalhar com zumbis e vírus, ele também tem em seu currículo Dino Crisis, Megaman e Onimusha.

Então até aqui sabemos que, na mistura de ingredientes da fabricação de Village, temos: a mente criativa e responsável por RE7, produtores de Revelations e RE2 Remake, e ainda uma pitada dos clássicos que pavimentaram o caminho da franquia até aqui. Tem como dar errado? Ao final da destrincha do jogo que vem a seguir, é você que me diz.

Village começa de um jeito que nunca vimos na franquia até agora. A cinemática de um conto narrado por Mia é diferente, sombrio com traços que eu não esperava em um jogo de terror. Mas é didático em sua analogia, e te mostra parcialmente sobre a história do jogo sem entregar tudo de cara. É impossível não comparar os 5 personagens cartunescos com os 5 vilões vendidos pelo jogo. A pegadinha ali talvez seja entender a associação entre os personagens.

A ambientação, como já disse acima, é ao mesmo tempo similar e diferente de RE7. As paisagens abertas diferem muito dos cômodos apertados da grande casa dos Bakers, mas ainda te deixa sentado na beira da cadeira aguardando monstros aparecerem a cada esquina. As texturas estão bonitas e os locais variam do luxo ao lixo, mas me incomodou ligeiramente tudo ser tão parecido com RE4.

Ethan, que antes era inexperiente caindo de paraquedas na bagunça que encontrou no caminho enquanto tentava salvar sua esposa, agora é mais ágil e um pouco até corajoso. Por vezes ele provoca os vilões, convidando-os a tentar vencê-lo em qualquer que seja o confronto a seguir. Tendo completado um treinamento do exército antes da mudança para a Europa, ele também possui a mão mais firme para tiros e consegue reconhecer sinais no ambiente à sua volta que passariam despercebido no jogo anterior. Apesar das melhorias, ele ainda continua com o gameplay muito parecido com RE7. Uma curiosidade para quem jogou o game anterior: o gameplay inicial real de Village possui o mesmo scritp do começo na casa dos Bakers.

As 4 famílas principais do jogo são um espetáculo à parte. Possuem suas particularidades e características próprias, sendo cativantes cada um à sua maneira. Dimitrescu, com a gigante Alcina e suas filhas Bela, Cassandra e Daniela, são o início do jogo e provavelmente ficarão na memória de muitos jogadores. Heinsenberg, onde Karl é um manipulador de metais e dono de uma fábrica nos arredores do vilarejo. Beniviento, onde Donna é uma manipuladora de bonecas meta humana, e leva consigo sempre a hiperativa Andy. Monroe, com Salvatore sendo o último remanescente da família. Alie tudo isso à enigmática Mãe Miranda, a líder das 4 famílias, e temos a atmosfera de Village.

Com a adição de tantos personagens carismáticos, seria imprescindível uma dublagem em português para total imersão no gameplay geral do jogo. E veio. Village é o primeiro jogo da franquia Resident Evil completamente localizado em português, legendas e dublagem. E aqui vale um elogio ao estúdio Maximal Studios, pelo ótimo trabalho entregue na versão final.

Village, ao contrário do antecessor, não poupa ligações com os jogos anteriores. A adição de Chris Redfield, menções à organizações e eventos passados, firma de vez a relação de Ethan com tudo que já aconteceu no passado referente à Umbrella. E agora, ele sabe disso.

Com a evolução do protagonista, também veio a evolução dos inimigos. Os básicos, encontrado aos montes na vila e no castelo, são muito resistentes e uma grande diferença contra os mofados de RE7. Licanos, que aguentam bem uns 7 tiros de pistola e 1 de espingarda, também são agéis e possuem movimento evasivo. Ou seja, RE7 nivelou a dificuldade mais alta e agora você também precisa ser mais ágil.

As similaridades entre Village e RE4 são enormes. Desde a ambientação em uma vila e possuir um castelo, até o inventário em forma de maleta e itens combináveis para venda com preço mais alto. O Duque, que propositalmente parece o mercante do jogo de 2005 (ele até faz referência à mais famosa frase do vendedor), compra tudo de valor que você conseguir. Seja de saques dentro dos locais ou drops de inimigos importantes ou não. Tudo tem seu preço, e você vai querer vender. Upgrades de armas e suprimentos não são necessariamente baratos, mas você também não precisará ficar contando moedas para sobreviver. As munições não são escassas, mas você não ficará sem elas, e os ingredientes para kit de vida e algumas bombas são encontrados facilmente pelo cenário.

Talvez a falta de física seja um dos dois pontos negativos no game, mas os jogadores antigos entendem que isso faz parte da franquia desde seu início. Além da caixa de madeira quebrável (sim, também presente em RE4), nada no cenário se movimenta. Nem mesmo uma cadeira, por mais que seja aceitável um vilão apenas se livrar dela no meio de uma perseguição.

O outro ponto negativo é o tempo de gameplay necessário para finalizar o jogo. Em uma primeira jogatina, você deve demorar entre 7 à 10 horas para chegar ao final da história. Em uma run atrás da platina do game, isso se estende até quase 14/15 horas. E se você chegou até aqui, deve estar se perguntando: se o jogo possui cerca de 5 vilões principais, então eu demoro basicamente duas horas para ir atrás e dar cabo de cada um deles? Infelizmente, a resposta é sim.

O game possui vilões que têm potencial para serem memoráveis, mas que não possuem tempo de tela o suficiente para o desenvolvimento completo de suas histórias. Não é de se espantar que algumas pessoas terminem o jogo e jamais falem sobre vilão X de Village. Além de algumas páginas de arquivos encontrados aqui e ali, os personagens não possuem mais que alguns parágrafos de introdução às suas histórias além da servidão fiel à Mãe Miranda. O fato de o mapa ser relativamente grande, mas não ser utilizado para nada mais que leva e traz de objetos entre pontos chaves, também me incomodou.

Resident Evil Village possui uma história consistente, que poderia ser mais ampla e dedicada em criar uma ambientação além da motivação principal de tudo, mas mesmo assim não deixa a desejar. O gameplay é gostoso, e você mal vê o tempo passar enquanto ajuda Ethan a encontrar sua filha Rose que está desaparecida. Veio em meio à pequenas turbulências na franquia, logo após a recepção dividida de Resident Evil 3 Remake.

Resident Evil Village

Resident Evil Village
4.5 5 0 1
Resident Evil Village, conhecido no Japão como Biohazard: Village é um jogo eletrônico de survival horror desenvolvido e publicado pela Capcom. É a sequência de Resident Evil 7: Biohazard, de 2017.
Resident Evil Village, conhecido no Japão como Biohazard: Village é um jogo eletrônico de survival horror desenvolvido e publicado pela Capcom. É a sequência de Resident Evil 7: Biohazard, de 2017.
4,5 rating
4.5/5
NOTA FINAL
Very good

Com referências mistas aos pontos altos do passado, Village veio para agradar gregos e troianos. Você é um jogador antigo da franquia? Tome aqui referências e ambientação das quais vocês mais gostam. Jogador novo?

Também tem gameplay atualizado e um protagonista comum do qual você não precisa saber 25 anos de história. Ele é facilmente um 8/10 pra mim e pra qualquer pessoa que já jogou, e pode ser um 10/10 se você é realmente um entusiasta.

Resident Evil Village foi lançado dia 07 de maio, para Xbox One e Series X|S, PS4 e PS5, Stadia e Windows.

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